Slideshow image

Taubaté - Câmara promove oficina de sensibilização sobre acessibilidade



A Câmara de Taubaté realizou oficina de sensibilização para conscientizar e informar o público em geral sobre acessibilidade. O evento, realizado dias 30 de abril e 5 de maio, contou com a presença de munícipes e funcionários da Casa.

A presidente do Comdef (Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência), Luciana Magalhães, e o diretor do Grupo Ação e Cidadania, Aguinaldo Dátola, ministraram a palestra e tiraram dúvidas. De acordo com Luciana, 24% da população brasileira é composta por pessoas com deficiência física.

“Em Taubaté, uma cidade de 300 mil habitantes, isso representa 72 mil cidadãos! Uma em cada quatro pessoas é deficiente física”, afirmou Luciana. “Mas onde estão essas pessoas? Nós não as vemos nas ruas, porque falta acessibilidade e muita gente não se sente bem por isso”, disse.

Luciana defende que a busca por acessibilidade não beneficia apenas o deficiente, mas a toda população também: “Calçadas e ruas niveladas, mais largas e sem obstáculos, são melhores para todos. Temos que enxergar o mundo com os olhos dessas pessoas, afinal, qualquer um de nós pode se tornar deficiente em algum momento da vida”.

Dátola nasceu com apenas 10% de visão no olho esquerdo. A partir dos 11 anos de idade, ele ficou completamente cego. Ele explicou por que o uso do termo “portadores de necessidades especiais” não é correto, e defendeu que a naturalidade é o primeiro passo para lidar com os deficientes.

“Deficiência não se porta. Eu não tenho como deixar a minha cegueira em casa e utilizar apenas quando for conveniente para mim, como ao precisar de uma vaga. Não funciona assim, é algo que está 24 horas por dia com a pessoa. O correto é ‘pessoas com deficiência’”, explicou. “É preciso parar com o medo de falar sobre o tema e agir naturalmente”, completou Dátola.

Para conscientizar aqueles que estavam presentes e para estimular uma reflexão sobre o assunto, os palestrantes realizaram duas atividades práticas com o público. A primeira desafiou a plateia a se comunicar sem emitir som algum. Como a maioria não sabia Libras (língua brasileira de sinais) – a segunda língua oficial do Brasil –, muitos tentaram passar a mensagem que queriam por mímica, o que não deu tão certo.

A outra atividade propôs que as pessoas caminhassem vendadas pelos corredores da Câmara, tendo apenas um companheiro como guia. Isso demonstrou, de maneira prática, as dificuldades que um cego enfrenta no dia-a-dia. Coisas insignificantes para quem enxerga, como uma lixeira no meio do caminho, tornam-se obstáculos quando não é possível usar a visão.

O jamaicano Melbourne Roswell, 54 anos, vive em Taubaté há dez, desde que se casou com uma brasileira. Cadeirante, ele se considera um cidadão taubateano e participa do Comdef, junto de Dátola e Luciana.

“Desde que eu vim para Taubaté, eu vi algumas melhorias. Por exemplo, os ônibus não eram acessíveis. Em 2004, 2005, acessibilidade era alguém me levantando e me colocando dentro do ônibus. Agora existem elevadores para pessoas com cadeiras de roda”, completou Roswell.

“Existem mais rampas pelas ruas e em alguns prédios comerciais. Mas é necessário que haja muito mais sensibilidade para com aqueles com deficiência, não só em Taubaté, mas em todo o país também. O Brasil tem leis muito boas, mas é importante que elas sejam cumpridas com eficiência”, afirmou o jamaicano.

O presidente da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), Aristides Barbosa de Morais Filho, informou que a Câmara começará a implantar, em maio, a primeira etapa de um projeto que prevê acessibilidade total no prédio. O presidente da Comissão Permanente de Acessibilidade, o vereador Diego Fonseca (PSDB), falou sobre a importância da Oficina de Sensibilização.

“Nós cobramos muito a Prefeitura e os órgãos públicos sobre acessibilidade, mas por que não começar dentro da Casa de leis? Para a gente poder cobrar, a gente tem que aprender mais. O exemplo tem que vir de dentro”, disse Diego.


Seu Nome

Seu E-mail











Edição Edição 145
Rua Pamplona, n. 1188 - sala 73 - Jardim Paulista - CEP 01405-001 - São Paulo - SP - Telefones (11) 3884.6746 / 3884.6661.